Este é um jogo focado na história, baseado no mesmo universo de A Strange Town.

O personagem principal era um soldado, que foi morto pelo avatar do Nada, um dos seres mais antigos da existência. Ao invés de morrer e continuar sua jornada, ele permaneceu na Terra, amaldiçoado a caminhar pela existência sozinho.

O jogo é sua jornada para uma diferente visão sobre quem ele é: mesmo que ele fosse um soldado, e com uma incrível capacidade de entender coisas, penso que, alguma hora, todos mudariam depois de ver inúmeros mundos. E é aqui que se passa a jornada: em diferentes mundos, no mesmo universo.

O personagem, Faerwald, constantemente pula entre dimensões. Ele pode falar com alguém no mundo “normal”, e assim que para de falar ir para um mundo diferente. Eu quero que o jogador experiencie estas maravilhas, mas ao mesmo tempo o absoluto terror: nem todo mundo é como o “mágico” que todos conhecem, alguns são repletos de destruição e pesadelos. E isso tem um preço, e essas experiências, sem dúvida, alteram o modo como ele vê a vida.

Penso que, mesmo que parte do jogo seja sobre sobreviver em mundos diferentes, coletando comida, água e encontrando abrigo, penso que o aspecto mais importante do jogo são as conversas: quando o jogador encontra algo consciente – e pode falar com eles, graças à maldição -, ele pode tentar entender a realidade, mudando como vê o mundo e, no fim, como vê a si mesmo.

As possibilidades são quase infinitas, mesmo que assumindo apenas o “mundo real” como base: e se os resultados das Guerras Mundiais fossem diferentes? E se a humanidade fosse dizimada por demônios? E se viagens espaciais forem possíveis a qualquer momento?

Para terminar, um aspecto importante de Faerwald é como ele fala e se comporta, e se eu fizer este jogo eu tomaria atenção dobrada nisto: no começo, ele é muito humano. O jogador pode escolher diferentes ramos de conversas, mas sempre com algum grau de respeito, sua postura quase dura, com seu passado militar, e sua visão da vida é mais humana, ele não costuma pensar no que está além da cortina.

Quanto mais o jogador atravessa dimensões, quanto ele vive, mais seu senso sobre ele mesmo muda, assim como o modo que ele age e se comporta: se antes ele falava com respeito, ele está agora em uma “etapa” diferente da vida, longe das noções de “vida e morte”, “respeito e ordem”, falando de modo mais sarcástico, mais sombrio, pois ele viu muito, e sabe o que a “vida” pode fazer com poder, e que ele corrompe. Sua postura muda para uma maneira mais “real”, em contraste com o modo que fala: ele entende o que a vida faz quando tem poder, pois ele viu muito disso. Mas isso é o bastante para pensar sobre quem ele é, e como está acima da “vida”.

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