Esta é uma visual novel sobre a vida de um homem. Um homem que, em um acidente bizarro, desenvolveu duas personalidades distintas, que trocam a cada quinze dias.

Uma é o pai solteiro de uma criança, que ganha o bastante trabalhando em uma firma de advocacia. A cada quinze dias, seu amigo, e a única pessoa que o conhece nesta vida, cobre sua ausência, e cuida da criança como se fosse sua – seu passado vai até o ensino médio, onde o homem ainda era “normal”.

O segundo é um arquiteto sem família, embora tenha tido seus affairs no passado. A cada quinze dias, ele deixa seu escritório, com o trabalho já feito, e dá a sua secretaria quinze dias de folga pagas. Não é a solução ideal, mas funciona, para ele.

A primeira parte do jogo é dedicada ao Pai: como ele vive seus dias, sua relação com a criança, com seu amigo, e como ele enfrenta o fato de que se sua filha tiver uma apresentação importante na escola, e for um dos dias do “Arquiteto”, ele irá perde-la. Eu quero que essa parte seja “leve”: mesmo com essas preocupações, quero que o jogador se conecte com a criança, entenda que este personagem fará seu melhor sempre, mas o mais importante é que ele vive com pessoas que se importam com ele e, em retorno, ele se importa com elas.

A segunda parte é dedicada ao Arquiteto: ao invés de ser “leve” como a do Pai, quero que ela seja “pesada”. Se o Pai é alguém que vive de maneira saudável, o Arquiteto diz que é inútil e vive em bares bebendo e festejando com quantas mulheres conseguir. Este personagem é alguém quebrado, que de algum jeito não estragou tudo em sua vida. A mensagem aqui é que ninguém é responsável pelo que os outros pensam de você: o Arquiteto não se importa se for visto como um imbecil, pois as pessoas que o procuram sabe que ele é um dos melhores arquitetos da região.

A terceira parte é um flashback dos dias depois do acidente: como a família reagiu com o fato de que agora vive como duas pessoas diferentes, como sua namorada reagiu ao fato que agora está em um relacionamento com essencialmente duas pessoas? Como o amigo decidiu ajudá-lo quando ele é o Pai? É aqui que o jogador entende porque o Pai vê a vida de maneira tão positiva, enquanto o Arquiteto não.

A quarta e quinta parte são onde as coisas ficam problemáticas: alguém encontrou uma cura que irá apagar uma das personalidades. E o jogo usa uma parte por personagem: ambos tentando escrever razões pelas quais ele deve ser o que irá sobreviver. Por exemplo, enquanto o Pai tem uma filha, o Arquiteto poderia aprender a se importar com ela. E enquanto o Arquiteto vive sozinho, sem ninguém, ele construiu um legado para si mesmo, pois vários dos prédios da cidade foram feitos por ele, e isso nunca será esquecido.

A sexta seção começa com a decisão do personagem, e seu crescimento.

Para o Pai, isso significa construir um legado para ele e sua família, seja ele uma firma de advogados que irá para sua filha, se ela seguir seu caminho, ou uma posição no governo que melhorará a vida de muitos. O Arquiteto será visto através desde novo desejo de crescer, a ambição de ser alguém maior do que é agora. E enquanto a criança vive como deveria, sua visão do mundo se torna mais cínica: a mulher que ele amou o abandonou, então ele deveria buscar alguém para suprir este espaço, ou continuar cuidando da filha até ela ser velha o bastante? Eu quero este tipo de contraste entre o começo e o fim de sua história: no começo ele era um homem que cuidava da família e amigos, inseguro, enquanto no fim é um homem que fará o melhor para sua criança, enquanto busca conseguir mais do que ontem, sabendo que é seu próprio homem agora, e que se quer alguém em sua vida, ele tem o direito de buscar essa pessoa.

Para o Arquiteto, isso significa aprender a cuidar de uma criança que nunca conheceu, e entender sobre o que são “relacionamentos”. Sim, ele teve casos no passado com mulheres – e homens, também, ele não se importa muito com isso -, mas ele não pode ignorar a criança, afinal, ele prometeu cuidar “disso” quando o outro homem aceitou ser esquecido. Sua vida não é mais apenas sobre criar um legado, ou buscar prazeres: ele tem uma criança que está caminhando junto a ele, um amigo do outro homem que decidiu ser seu amigo, também, e ele entende que sua secretaria não estava no trabalho apenas pelas boas condições – receber folgas pagas a cada quinze dias é muito bom -, mas porque ela também é, de algum jeito, sua amiga. Se antes o homem era um idiota solitário, agora é um homem que entende quem é, livre para buscar novos caminhos na vida, sendo capaz de cuidar de pessoas, mesmo que nunca tenha se importado com isso antes.

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