Esta ideia é algo que pensei para o último Desafio de Game Design do Game Career Guide, que seja um jogo após o fim da civilização, mas sem violência. Este não é o design que enviei, mas achei interessante, e me permitia discutir alguns temas que não seriam observados em situações como essa.

Este jogo conta a história de duas pessoas, a Soldada, estéril com trinta anos, e o Garoto de dezoito, estudante de artes. Eles são as duas últimas pessoas vivas, e por causa de suas condições, a humanidade acabará com eles. Não há cura milagrosa, ou uma solução de última hora para salvar o dia. Eles são os últimos humanos, e é isso.

Este jogo, então, é sobre suas interações, suas brincadeiras: em histórias como essa, normalmente os personagens lutam por um futuro melhor, para reconstruir a civilização, conectarem-se com outras pessoas. Mas nessa história, eles podem fazer o que quiserem, se querem dirigir um rolo compressor através de paredes, eles não precisam se sentir culpados, pois não há nada a fazer.

Obviamente, o jogo não é apenas sobre destruição desenfreada. Pretendo que, usando apenas estes dois personagens, durante todo o jogo, seja possível contar uma história sobre suas vidas: o que fez a Soldada ser a pessoa que ela é hoje? O que o Garoto fazia quando “aquilo” aconteceu? Como você lida com o trauma de ser uma das duas últimas pessoas vivas no mundo? Quero que flashbacks sejam usados para mostrar suas vidas neste mundo vazio até se encontrarem. A Soldada, por exemplo, não agiria como uma médica nessa situação, ela seria capaz de fazer o que for necessário para sobreviver, como atravessar destroços sem tantos problemas. Como ela iria agir ao ver sua família morta? E todos que ela conhece? Ela poderia ficar insana, e quero que seja uma possibilidade, que as conversas reflitam o quão caótica é essa situação.

O Garoto representa uma outra visão do mundo: enquanto a Soldada tem aquele ar sóbrio, que sabe que tudo acabará, o Garoto é diferente, decidiu que faria tudo que qualquer um sempre pensou em fazer. E eles conversam sobre isso, e conversam muito. Nessa dinâmica, a Soldada é a séria, e o Garoto o engraçado. Eles não iriam se separar, é claro – mesmo que quisessem, ambos sabem que ficariam malucos sem o outro -, mas suas interações seriam diferentes: por exemplo, ao invés da Soldada se divertir fingindo roubar um banco, protegido pelo Garoto, ela iria pedir para ele fazer o que ele quer para continuarem a jornada.

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